Memória Supergeneralizada PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Sáb, 30 de Julho de 2011 13:41

depress

Num artigo de Alastair Gee publicado no NYT em maio de 2011, um dado muito interessante sobre Depressão é investigado.

Não se pode dizer que o artigo seja surpreendente, já que ele traz luz a um assunto que muitos psicólogos já perceberam, que é o perigo do excesso de generalização. Como todos sabem, há pessoas que tendem a generalizar excessivamente as coisas. E o grande perigo disto é que memória e emoção estão intimamente ligadas, o que faz com que muitas pessoas tenham reações emocionais com alta intensidade relacionadas ao seu passado afetivo.

A memória é dinâmica, já que em diferentes épocas da vida nos lembramos de fatos de uma maneira diferente. Uma viagem malsucedida e cheia de imprevistos pode ser tornar numa história divertida tempos depois.  Um pneu furado numa noite chuvosa pode se tornar num momento de reflexão positiva posteriormente. Mas quando supergeneralizamos e nossa memória registra que “todas nossas viagens foram catastróficas”, ou “sempre meus carros quebram” a história começa a ficar complicada. De acordo com a matéria, pessoas com perfil supergeneralizador tem maior tendência a depressão que pessoas que contextualizam com mais facilidade suas memórias.

O curioso é que o chefe desta pesquisa em Oxford, Dr. Mark Williams, sugere um tratamento que aparentemente é contraintuitivo: O de vasculhar as memórias dolorosas, ao invés de tentar esquecê-las. Só assim a pessoa poderá ter maior contextualização de sua emoção e equilibrar melhor os sentimentos que têm em relação a fatos do seu passado. Também aí, não há novidade,  já que o Freud já propôs esta metodologia com a psicanálise. Mas sempre é importante ver que são cada vez mais sólidos os fundamentos científicos de que precisamos compreender os fatos que passamos para vivenciarmos uma emoção saudável em relação a eles. Obviamente “saudável” não significa apenas “positiva”, saber lidar com a perda é fundamental. Mas transbordar os sentimentos de maneira desenfreada parece cada vez mais o caminho para transtornos como a depressão.

 

Alessandro Bender é Diretor da UmaCentral Endomarketing

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